Saiba como garantir acessibilidade em construções com a inclinação correta e detalhes essenciais para a segurança e conforto de cadeirantes.
A acessibilidade é um direito básico e fundamental em qualquer ambiente, seja ele público ou privado. E para que isso seja garantido, a construção de rampas para cadeirantes precisa seguir parâmetros específicos, tanto para atender às normas legais quanto para oferecer segurança e conforto para todos. Entre os fatores mais importantes está a inclinação da rampa, que deve ser adequada para facilitar a locomoção sem exigir esforço excessivo ou causar riscos de acidentes.
Qual a Inclinação Ideal para Rampas Acessíveis?
A inclinação é um dos elementos mais críticos em uma rampa acessível. De acordo com a Norma Brasileira (NBR) 9050, que rege a acessibilidade, a inclinação ideal para rampas de cadeirantes varia conforme o desnível e o espaço disponível, como já falado anteriormente. Para rampas com uso eventual, como aquelas que dão acesso a uma residência, a inclinação pode ser de até 8,33%, mas em locais de uso público, a inclinação máxima recomendada é de 5% para garantir segurança e conforto no uso frequente.
Um cálculo rápido para se ter uma noção da inclinação é considerar que, para cada metro de desnível, a rampa deve ter cerca de 12 metros de comprimento em locais públicos e 7,5 metros em áreas residenciais. Isso garante que a rampa seja suave o suficiente para permitir uma movimentação segura e autônoma.
Acessibilidade ainda é uma dificuldade no país
Apesar de a acessibilidade estar na lei no Brasil (Lei Nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000), o acesso de pessoas PCDs a diversos espaços ainda não é eficiente. Segundo dados do Censo Escolar 2022, apenas 26,9% do total de escolas brasileiras têm algum tipo de item de acessibilidade, como rampas, corrimões, elevadores, pisos táteis ou sinais sonoros.
Condomínios residenciais também são obrigados por lei a ter rampas de acesso desde 2020.
Detalhes essenciais na construção de rampas para cadeirantes
Além da inclinação, há vários outros detalhes que devem ser observados para que a rampa ofereça acessibilidade completa:
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Pisos Antiderrapantes: O revestimento da rampa deve ser feito com materiais antiderrapantes, tanto em ambientes internos quanto externos, para evitar escorregamentos e quedas, especialmente em dias de chuva.
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Corrimãos: A instalação de corrimãos duplos é indispensável. Eles devem ser fixados em ambos os lados da rampa, a uma altura de 92 cm (superior) e 70 cm (inferior), conforme recomendado pela NBR 9050. Isso ajuda na estabilidade de quem usa cadeiras de rodas e também de pessoas com mobilidade reduzida.
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Área de Descanso: Em rampas mais longas, a cada 9 metros, deve haver um patamar de descanso com o mínimo de 1,20 metros de comprimento. Esses patamares garantem que o cadeirante tenha pontos de parada seguros ao longo do percurso.
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Largura Adequada: Para permitir a circulação de cadeiras de rodas, a rampa deve ter uma largura mínima de 1,20 metros. Em locais com tráfego intenso, pode ser recomendável uma largura ainda maior.
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Sinalização Adequada: Para tornar a rampa visível e fácil de localizar, é importante investir em uma sinalização acessível. Colocar placas e piso tátil em áreas estratégicas auxilia não apenas cadeirantes, mas também pessoas com outras deficiências visuais.
Cuidados na manutenção de rampas acessíveis
Depois de construída, a rampa precisa de manutenção periódica para garantir que continue segura e funcional. É importante verificar a aderência do piso, o estado dos corrimãos e das sinalizações, especialmente em áreas de uso constante.
A construção de rampas para cadeirantes não se limita ao cumprimento de normas, mas também reflete o compromisso com a inclusão. Uma rampa bem projetada e construída com todos os detalhes necessários garante que o espaço seja mais acolhedor e seguro para todos os seus usuários.